Participação do presidente argentino em convenção do PL é explorada por opositores de vários campos ideológicos e provoca crise diplomática.
A estratégia de utilizar a figura de Javier Milei como trunfo internacional na candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto acabou gerando forte reação política. O discurso do presidente argentino na convenção do PL, no Pacaembu (SP) no último sábado (25), virou munição não apenas para a esquerda, mas também para concorrentes diretos no campo da direita.
Ataques diretos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes — a quem Milei chamou de “lixo careca” — abriram margem para acusações de ingerência estrangeira no pleito brasileiro.


Munição para os adversários da direita
Líder nas pesquisas dentro do campo conservador, Flávio viu rivais de direita aproveitarem o episódio para ganhar espaço na disputa pelo mesmo eleitorado:
- Ronaldo Caiado (PSD): O ex-governador goiano classificou o ato como “baixaria” e considerou “inadmissível” a interferência estrangeira nas eleições, destacando que o respeito à soberania faz parte da postura esperada de um chefe de Estado.
- Romeu Zema (Novo): Durante o ato que oficializou sua candidatura, Zema qualificou a atitude de Milei como “deselegante” e uma tentativa de interferência no país. Mais tarde, admitiu que o argentino disse “verdades”, mas ponderou que ele deveria ter mantido o respeito institucional.
- Renan Santos (Missão): Embora não tenha citado o argentino nominalmente, criticou a influência externa no processo eleitoral brasileiro ao questionar a ingerência vinda dos Estados Unidos.
Reação do governo e repercussão diplomática
O Palácio do Planalto e o Ministério das Relações Exteriores responderam de forma dura às declarações do líder argentino:
- Repúdio do Itamaraty: O chanceler Mauro Vieira convocou o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, e o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli. Em nota, o Itamaraty expressou “repulsa aos impropérios” e afirmou que não há precedentes de um líder estrangeiro atacar o chefe de Estado e as instituições brasileiras dentro do país.
- Ataque na economia: O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou Milei de “palhaço” e destacou os dados desfavoráveis da economia argentina, como inflação e risco-país elevados, em contraposição às críticas feitas pelo argentino sobre a economia do Brasil.
- Ironia de Lula: Questionado por jornalistas durante agenda com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-Myung, Lula evitou se aprofundar e apenas ironizou: “Quem é esse cara?”. Abaixo o video: de Lula Ironizando:
Ação na Justiça Eleitoral:
Além do desgaste político, a Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) protocolou uma notícia de fato na Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE). Encaminhada ao procurador-geral Paulo Gonet, a representação pede a abertura de investigação contra Milei por suposta interferência indevida no processo eleitoral do Brasil.
Fonte e Imagens: Metrópoles.



